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CONSULTÓRIO DE FONOAUDIOLOGIA - Avaliação, Orientação e Terapia Fonoaudiológica

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Matéria Folha Online: “Médico alerta para correção da gagueira”

3rd Junho 2008

Médico alerta para correção da gagueira - 23/09/2001

(Fonte: Folha Online) 

CLÁUDIA COLLUCCI

da Folha de S.Paulo
Pais devem ficar atentos para a repetição de sons, sílabas ou palavras inteiras durante os primeiros anos dos seus filhos. Geralmente o problema desaparece até os cinco anos, mas, se persistir, pode ser o primeiro sinal da gagueira.
Nesse caso, a sensibilidade dos pais é fundamental. Chamar a atenção da criança, interrompê-la, corrigi-la e obrigá-la a falar corretamente só piora a situação. O melhor é procurar ajuda médica e fonoaudiológica.
Especialistas dizem que a gagueira pode ter origem na pressa de ouvir e de falar. Isso causaria um descompasso entre o pensamento e a fala.
Mas há divergências quanto às causas e formas de tratamento do distúrbio.

Existem correntes para justificar o problema a partir de fatores hereditários, psicológicos, orgânicos ou sociais.
A fonoaudióloga clínica Silvia Friedman, 50, professora da PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), afirma que há condições subjetivas e socioculturais que podem possibilitar que uma pessoa desenvolva “gagueira natural” ou “gagueira sofrimento”.
A gagueira natural seria aquela que não causa incômodo à pessoa. Ela até pode hesitar na hora da fala, repetir palavras ou sons, mas não se constrange. A gagueira sofrimento é justamente o contrário. Ao falar, a pessoa fica tensa, com medo de errar e o ato transforma-se em um verdadeiro tormento.
Gaguejar ou não, segundo Silvia, é uma questão relativa à situação de comunicação e não orgânica, e acontece em um momento de concorrência das palavras. “Todos nós temos gagueira. É uma reação normal”, afirma.
Para ela, o grande problema é a sociedade preconceituosa, que hostiliza quem não tem uma fluência perfeita. Silvia foi uma das organizadoras de um livro sobre o tema lançado esta semana em São Paulo.
No caso das crianças, segundo a fonoaudióloga, os pais são peças-chaves no tratamento. O principal desafio é fazê-los reinterpretar seus filhos e entender que não há fluência absoluta.
A arquiteta Maria Isabel Braga, 37, conhece essa lição ao pé da letra. Há oito anos, ela escutou um diálogo entre o filho Lucas, na época com cinco anos, e uma coleguinha, no qual ele falava abertamente que era gago.
“Fiquei em pânico. Até então não tinha percebido nada”, diz. Ela afirma que foi chamada na escola do menino, e uma das coordenadoras disse que ela deveria procurar a ajuda de uma fonoaudióloga clínica.
Maria Isabel levou o filho à especialista, mas não gostou do tratamento. “Havia um ranço psicoterapêutico que não tinha nada com o meu filho.”
Identificou-se imediatamente com a linha de uma segunda profissional, que partia do pressuposto de que a fala é uma habilidade como outra qualquer e que “hesitar” em alguns momentos é normal. Com o passar dos anos, Lucas melhorou sua fluência e hoje as repetições ou hesitações na fala são quase imperceptíveis.
Diagnóstico
Para a fonoaudióloga Ana Maria Maaz Alvarez, há possíveis causas neurológicas e psiquiátricas envolvidas no processo da gagueira, que precisam ser avaliadas por meio de um diagnóstico sofisticado, que inclui exames de processamento auditivo e eletrofisiológicos, avaliação clínica e outros testes.
Os exames eletrofisiológicos mostram a velocidade com a qual o estímulo auditivo percorre o sistema nervoso.
A partir do resultados, segundo Ana Maria, é escolhido o tratamento ou treinamento a que o paciente será submetido.
Às vezes, por exemplo, ele precisa perceber mais pausa e musicalidade, funções que estão no hemisfério direito. São escolhidos, então, exercícios que vão estimular a parte do cérebro carente da função.
Ana Maria afirma que certos tipos de gagueira estão relacionados a doenças como déficit de atenção e da síndrome de Tourette, que provoca tiques, movimentos involuntários, entre outros.
Nessas situações, além da fonoaudióloga, outros dois profissionais (neurologista e psiquiatra) participam da avaliação do paciente. Geralmente, é indicado o uso de medicamentos que vão reequilibrar a rede de neurotransmissores (substâncias que fazem a comunicação no cérebro).

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Matéria Folha Online: “Conheça grupos de ajuda para gagos”

3rd Junho 2008

Conheça grupos de ajuda para gagos  - 23/09/2001

(Fonte: Folha Online) 

da Folha de S.Paulo
Há vários grupos de auto-ajuda para gagos em pelo menos 28 países do mundo. Eles se agrupam na International Stuttering Associacion (ISA).
Uma listagem pode ser obtida na internet no endereço: http://www.stutterisa.org/.
Outro caminho de discutir o problema é por meio dos fóruns eletrônicos de discussões, grupos gratuitos nos quais se inscrevem pessoas interessadas em um determinado tema. Seguem os endereços de alguns:

stu-hlp@ecnet.net - lista de apoio para pessoas que gaguejam e seus familiares.
Para se inscrever é necessário apenas enviar um e-mail para listproc2@ecnet.net e indicar: assina Stut-hlp, nome e sobrenome. O organizador é Robert Quesal, r-quesal@bgu.edu.
wordfree@vm.temple.edu - lista de discussão em inglês dirigida a adolescentes gagos menores de 20 anos. Para se inscrever, envie e-mail a siltserv@vm.temple.edu e indique: assine wordfree, nome e sobrenome.
Caps-news@webcon.net - lista de discussão patrocinada pela Associação Canadense de Pessoas Gagas. Para se inscrever, envie e-mail a caps-news-reques@ webcon.net e, no assunto, indique quem assina.
ttml-l@majordomo.ucv. edu.ve - é a primeira lista sobre gagueira em espanhol. É aberta a gagos e interessados. Envie um e-mail a majordomo@ majordomo.ucv.edu.ve e indique: assina ttm-l, seguido de nome e sobrenome. O organizador é Pedro R. Rodrigues C.

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Matéria Folha Online: “Homens são mais predispostos à gagueira, dizem pesquisadores”

3rd Junho 2008

Homens são mais predispostos à gagueira, dizem pesquisadores - 23/09/2001

(Fonte: Folha Online) 

da Folha de S.Paulo
Pesquisadores são unânimes em reconhecer que há mais homens gagos do que mulheres. Essa predisposição para o sexo masculino, no entanto, não tem explicação científica.
A fonoaudióloga Ana Maria Martinez, por exemplo, acredita que o desenvolvimento da linguagem seja melhor nas meninas, pois elas começam a falar mais cedo. As mulheres, de acordo com ela, teriam as funções cerebrais mais bem distribuídas.
Na opinião da pesquisadora francesa Claire Dinville, o que deve ser notada é a correlação que existe entre a gagueira e todos os distúrbios da elaboração da linguagem (atraso da fala, dislexia, disortografia). Uma explicação para essa predominância seria o atraso no desenvolvimento da linguagem dos meninos.
Herança
Alguns pesquisadores dizem que a gagueira é herdada. Para Ana Maria, se a criança apresentar distúrbios da fala e tiver antecedentes na família, os pais devem procurar ajuda de uma fonoaudióloga o quanto antes.
Há pesquisas que mostram que de 30% a 40% dos gagos vêm de famílias com outros casos. Mas essa influência ainda não está provada devido à carência das árvores genealógicas dos gagos.
Na visão de diversos autores sobre gagueira, o percentual de canhotos entre os gagos é muito mais elevado do que nos outros transtornos da fala. Alguns defendem que os canhotos só gaguejam quando são contrariados.

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Matéria Folha Online: “Distúrbio da fala já era identificado em filósofos gregos”

3rd Junho 2008

Distúrbio da fala já era identificado em filósofos gregos - 23/09/2001

(Fonte: Folha ONline)

da Folha de S.Paulo
Relatos históricos sugerem que a gagueira é um distúrbio que acomete os humanos desde os primórdios. Traduções do Êxodo 6, 12, dizem que Moisés (século 12 a.C.) era gago: “lento de fala”, “incursivo de lábios”.
O mesmo acontece com os filósofos gregos Hipócrates (460-332 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C.).
Naquela época, pensava-se que a gagueira era causada por uma língua muito grossa. No século 19, começaram os estudos mais consistentes sobre a doença, embora até hoje não haja unanimidade sobre as causas.
Adolfo Kusmaul foi a primeira pessoa a dar definição científica para a gagueira, em 1877: neurose de coordenação espástica.]
Em 1931, pesquisadores apontaram a relação entre gagueira e deficiência de audição. Seis anos depois, descobriu-se que ela também tinha relação com alterações da função linguística.
A partir da década de 50, foi introduzido o tratamento psicoterápico, e, em 1960, foram acrescentadas as idéias comportamentalistas.

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Matéria Folha Online: “Primeiro aparelho para auxiliar portadores de gagueira chega ao Brasil “

3rd Junho 2008

Primeiro aparelho para auxiliar portadores de gagueira chega ao Brasil - 10/04/2008 (Fonte:Folha Online)

IARA BIDERMAN
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Em entrevista por telefone, o bibliotecário Roberto Tadeu, 38, conta sua história, sem pressa. A descoberta, aos cinco anos, de que falava de forma diferente da maioria das pessoas, as dificuldades da adolescência e de obter o primeiro emprego, as sessões de fonoaudiologia, os grupos de discussão na internet, a fundação de um grupo de apoio e de troca de informações sobre a gagueira. A conversa foi longa.

O que a reportagem da Folha não sabia é que, na entrevista, Roberto estava fazendo uma das coisas mais difíceis para quem tem gagueira: falar ao telefone. E isso é só uma das coisas que a maioria das pessoas não sabe sobre o distúrbio.

Para enfrentar situações como essa, é comum o portador de gagueira procurar estratégias. “Muitas vezes, ele prefere se deslocar para falar pessoalmente e evitar o telefone. De modo similar, pode ir comprar o pão no supermercado só para não ter de falar com o funcionário da padaria”, conta a fonoaudióloga Ignes Maia Ribeiro, presidente do IBF (Instituto Brasileiro de Fluência).

Uma nova estratégia, desta vez tecnológica, acaba de ser lançada no Brasil. Um pequeno aparelho colocado dentro da orelha simula o “efeito coro”, fazendo a pessoa que gagueja ouvir suas próprias palavras com um certo atraso e ter a sensação de que está falando junto com outros. Em situações como recitar em coro ou cantar, é comum a gagueira desaparecer.

O aparelho que está chegando ao mercado, o SpeechEasy, da Microsom, passou por cerca de um ano e meio de testes clínicos no Brasil, coordenados por Ribeiro, do IBF. “As respostas das pessoas que fizeram os testes foram diferentes. Houve quem colocou o aparelho e teve melhora imediata e quem praticamente não sentiu efeito. Uma das pessoas simplesmente odiou o aparelho, não gostou da sensação de ouvir a sua própria voz alterada”, diz Ribeiro.

No entanto, ela considera que o resultado geral dos testes foi promissor. “A maioria melhorou a fluência e chegamos à melhora de até 80%. Isso faz muita diferença, minimiza os bloqueios e pode ajudar em situações cruciais. Imagine uma entrevista de emprego, por exemplo.”

Realmente, em situações de pressão a gagueira tende a piorar. Por isso, muita gente acha que é um problema psicológico, mas, hoje, os especialistas atribuem a gagueira a causas genéticas e neurológicas.

A fonoaudióloga Fernanda Papaterra Limongi, especializada em afasia e gagueira pela University of North Dakota (EUA), diz que não existe uma única causa que justifique todos os casos de gagueira e que são necessários três fatores para ela se desenvolver: o predisponente -que é a predisposição congênita, que pode ou não se manifestar–, o precipitante –que é o evento que desencadeia a gagueira– e o perpetuante, que faz com que ela se instale. “A pessoa percebe que falar é difícil e começa a lutar com a fala. Mas, quanto mais força a fluência, mais gagueja. Assim, perpetua o problema”, diz.

Limongi acredita que a gagueira tem cura. Em sua experiência de mais de 30 anos na área, ela utiliza um tratamento fonoaudiológico baseado em passos, em que a pessoa vai desenvolvendo a fluência e, segundo ela, pode mantê-la por toda a vida. Ela tem conhecimento do novo aparelho -que já está disponível há algum tempo nos EUA–, mas diz nunca ter experimentado. “Atualmente, é bem caro, nem todos têm acesso, e não sabemos como vai funcionar com o tempo. Mais tarde, posso experimentar, mas acho que há outras opções para abordar a questão.”

O SpeechEasy não é exatamente um tratamento, mas sim um auxiliar, e não substitui a fonoaudiologia -a indicação é que seja usado conjuntamente. E o preço é realmente salgado: R$ 9.900, segundo o fabricante.

“Nada em gagueira é consenso, mas o que sabemos hoje é o suficiente para obter fluência”, diz Isis Meira, professora de fonoaudiologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e especialista em gagueira pela Northwestern University e pela Speech Foundation of America (EUA). Ela diz que o aparelho não se encaixa em sua linha de trabalho. “Cada um forma sua gagueira, e cada uma é diferente. Por isso, é importante que o tratamento contemple as necessidades individuais”, afirma.

A abordagem de Meira foca tanto a gagueira quanto a pessoa. “Ela constrói no corpo a gagueira, e o tratamento a ajuda a desconstruir isso, além de trabalhar os sentimentos, as atitudes em relação ao problema, que são muito variadas.”

Quanto à cura, Meira pondera que é preciso definir o que entendemos pela palavra. “Curar é conseguir fala fluente? É possível. Mas deixar de ter essa característica, que eu acredito ser genética, acho que não acontece. A pessoa permanece com a tendência, mas consegue a fala fluente.”

Veja mais informações sobre gagueira nos sites: www.gagueira.org.br www.abraguagueira.org.br


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Matéria Folha Online: “Gagueira deve ser tratada durante infância, dizem especialistas”.

3rd Junho 2008

Gagueira deve ser tratada durante infância, dizem especialistas (Fonte: FolhaOnline)

FÁBIO GRELLET
do Agora

Pessoas gagas costumam ser motivo de piada, mas o problema é sério. E virar tema de gozação é uma das conseqüências mais graves da gagueira: para evitar isso, a vítima acaba se afastando do convívio social.

“É preciso respeitar o gago. As pessoas devem prestar atenção no que ele diz e nunca pressioná-lo nem completar as frases”, afirma Fernanda Sassi, doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP. Ela diz que muitas vezes o interlocutor completa a frase do gago dizendo coisas distintas daquelas que ele queria afirmar, mas o gago acaba concordando por estar envergonhado.

Para evitar situações como essa, a vítima de gagueira deve buscar tratamento com fonoaudiólogo. O período de duração varia conforme a intensidade do problema, mas costuma ser de três meses a um ano. “Após a primeira fase, de três meses, o paciente é reavaliado e, se for necessário, pode retomar o tratamento, depois de um intervalo”, afirma Fernanda.

Existem três tipos de gagueira. A de desenvolvimento é a mais comum, surge na infância e é causada por um conjunto de fatores. A psicogênica e a neurogênica são mais raras e acometem pessoas de qualquer idade.

Os homens são as principais vítimas –a cada mulher gaga existem três homens vítimas do problema–, mas ainda não se sabe a razão disso. “Todos os distúrbios de comunicação são mais freqüentes em homens”, diz Fernanda.

O problema geralmente se manifesta antes dos sete anos. O bebê começa a falar com aproximadamente um ano e muitas vezes já é possível notar o problema. O tratamento deve ser imediato, porque a criança tem mais facilidade do que o adulto para superar a gagueira

Mas é comum a criança enfrentar períodos de disfluência, durante os quais ela repete palavras não por ser gaga, mas por estar em fase de estruturação da linguagem. Essas repetições são esporádicas e devem desaparecer com o passar do tempo. Quando a criança é gaga, as repetições são freqüentes e tendem a se agravar, enquanto não houver tratamento. “Mesmo se for um simples período de disfluência, é recomendável levar a criança ao fonoaudiólogo, que poderá avaliar a situação e prestar orientações”, alerta Fernanda.


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